21 de setembro de 2008

Para Miss Libido






12 de setembro de 2008

A Letra L


Pela segunda vez, espreito às vezes a fantástica série sobre homossexualidade feminina (nos E.U.A) que começou por ser fantasiosa e evoluiu para pedagogia e realidade séria de uma minoria discriminada até hoje...



E às vezes penso que as Mulheres são realmente uma força da Natureza.

Às vezes sinto que é delicioso o corpo da mulher.

Não sou inatamente bissexual, mas considero-me "tecnicamente bi" - passo a explicar...



Já estive sexualmente com mulheres, mas nunca persegui ou me apaixonei por alguma.

No entanto, gosto do toque e da pele e dos arrepios que o corpo da mulher estimulam...



Acho que gostaria de voltar a estar colada na pele de uma femme sensuel et belle uma vez mais, a trocar paz e sensualidade pelos poros, sem ter de haver sexo forçosamente, mas ternura de Mulher para Mulher.



Às vezes complica-se tanto...

11 de setembro de 2008



Gosto de Sangue.

Gosto da cor, gosto do cheiro... da dor.

O gume afiado de uma faca a deslisar na carne, e aqueles instantes em que não acontece nada e depois o jorrar suave de um liquido quente...

Levamo-lo à boca...

O contraste numa pele branca, o aroma levemente metálico e o sabor adocicado...

Depois pomos um penso rápido no dedo e continuamos a fazer a salada para o almoço.

1 de setembro de 2008


18 de agosto de 2008


Moro perto do mar. Muito perto.

Quase me entra pela janela.

Mas entra-me nos olhos e pulmões,

desfia-me um rosário de sensações

ao aspergir-me com aquela água

que é tudo menos benta - pejada de corpos de naufrágios.

*

Hoje está maré viva!

E tenho o mar nas costas

a zunir como abelha.

A fazer-me pensar que vai trepar

ate ao meu 3º andar alugado

e despentear-me o cabelo e fazer flutuar todas as coisas.

*

My own personal tsunami.

É como me sinto ultimamente.

O tsunami está a chegar...

Isto porque convidei o meu parceiro

a viver comigo.

O mar... que aqui vai entrar e refrescar-me,

abrindo gretas nos lábios secos do sal.

*

Talvez me arraste com ele para trás

mas a maré enche e voltamos a emergir.

Tal como a vida.

Neste momento fantasio que o mar vai chegar

e fazer flutuar os meus cabelos e coisas.

E estarei no paraíso...

Completamente encharcada de mar!

*

ML

6 de agosto de 2008

Fantasia

Não me lembro de alguma vez ter sido criança...É como se sempre tivesse sido adulta num corpo à espera de ter a idade certa... Não me lembro de uma inocência despreocupada...

Sempre soube que estava à espera... à espera do havia de vir.

Enquanto as meninas brincam com as suas bonecas num mundo imaginário de faz de conta, eu aguardava e treinava-me para o momento.

Não o senti chegar mas ele instalou-se... o momento...

Agora é a minha vez de ser criança, de ser inocente... agora tenho tempo para sonhar e desejar o impossível...

Uma Ilha Deserta, uma Casa de Pedra junto a uma Escarpa Escocesa, uma Biblioteca com todos os livros alguma vez publicados e tempo para lê-los todos, um Ferrari vermelho com motorista, um Tigre Branco por animal de estimação e poder trata-lo como um Gato, uns Sapatos de Salto Alto Vermelhos e elegância suficiente para poder usa-los. Sem o saber, mudar significativamente a vida de uma pessoa para melhor. Quero sentir-me bem. Sentir areia fresca e molhada nos pés, num passeio à beira mar, vestida de branco. Ser uma guerreira saida de um conto de fadas...

E os sonhos realizados? ... sinto-me grata...

O abraço forte do meu homem ao fim de um dia longo e cansativo, ficar sem me mexer 2 horas porque tenho o gato a dormir ao colo. A maravilhosa sensação de voltar a ''casa''. Seja ao rever a terra onde nascemos, ou cheiro da casa da avó cheia de riso de primos grandes e pequenos... o olhar mais inocente do mundo vindo da Mafalda, a cadela, depois de ter feito um grande disparate e eu não ser capaz de ralhar com ela...


Viva o mundo do faz de conta! Que venha todos os dias para colorir de sonhos a vida real cheia de nuvens negras...

Quem é que nos pode impedir?

31 de julho de 2008

El Laberinto Del Fauno

O Labirinto do Fauno (2006) é com certeza um dos melhores filmes do cineasta Guillermo Del Toro. O Cineasta conta-nos uma fábula sombria recheada de metáforas e alegorias.


Além de ser entretenimento puro, o filme também é uma óptima refeição mental para os cinéfilos e amantes da literatura fantástica.
O filme abre com uma pequena narração sobre uma princesa que abandonou seu reino subterrâneo para conhecer a realidade humana e as consequências do seu acto. Depois disso conhecemos Ofélia (Ivana Baquero), uma menina de 10 anos fascinada por livros de contos e fábulas com fadas. Ela está a mudar de casa com a Mãe, Cármen (Ariadne Gil) para o campo, onde vai viver então com o padrasto, Vidal (Sergi Lopez). Ele é o capitão das forças fascistas do general Franco, que governa a Espanha em favor dos ricos e poderosos com a aprovação da Igreja Católica. Percebemos de imediato que Vidal é um homem extremamente sádico e que maltrata Ofélia.
Aos redor de sua nova casa, a menina encontra um labirinto que leva a uma secreto caminho subterrâneo. Lá ela conhece o Fauno (o mímico Doug Jones), uma criatura metade humana, metade bode, que a convence de que ela é a princesa perdida do reino subterrâneo e que precisa realizar três tarefas para retornar para seu reino. Ao mesmo tempo em que Ofelia embarca nessa viagem repleta de fantasia, Vidal não poupa esforços e sadismo para exterminar os rebeldes que ameaçam o governo.


O mundo fantástico

Realidade e fantasia se completam em um verdadeiro banquete de cenas e personagens inesquecíveis. Visualmente, o filme é soberbo. A cor é extremamente carregada de um sombreado que transforma a narrativa em um livro antigo de fábulas.
Inteligentemente, Del Toro transporta seu argumento para o campo. Cercado de florestas, o público aceita com facilidade que possa existir por ali um universo mítico. Envolvendo este universo estão as duras cercas do mundo real, característica que também marca o trabalho de outros directores fantásticos, como Tim Burton e Terry Gilliam. O único ingrediente diferente no filme de Del Toro são os toques surrealistas herdados do cineasta espanhol Luis Buñuel, outro que utilizou sua obra para criticar os fascistas.
Esse universo onírico e gótico é a espinha dorsal do filme. Del Toro não delimita o que é fantasia ou realidade. Ele aponta caminhos e deixa que o público embarque na viagem de sua preferência. Mesmo na conclusão, Del Toro contrasta os dois mundos.
Del Toro correlaciona seus personagens fabulescos com os de carne e osso. Nas tarefas, Ofelia é obrigada a enfrentar criaturas horripilantes. Por mais aterrorizantes que sejam as aparências dos seres, fica a impressão de que os humanos são os verdadeiros vilões.


Mundos contrastantes

Fica evidente a diferença entre o mundo de Ofelia e o de Vidal. Ela acredita em sonhos e fantasia, sentimentos e características vitais para o desenvolvimento do ser humano. Vidal é um produto de mundo rígido e fascista. Sua ideologia é baseada na violência. Del Toro aproveita para analisar psicologicamente como homens dessa natureza são resultado de uma relação agressiva e abusiva dos seus pais.


Mas o debate não é só social, mas também político. Vidal não consegue ver nos rebeldes uma ameaça. Para ele, é uma questão de tempo para que todos sejam eliminados. Em A Espinha do Diabo (2001), Del Toro já tinha utilizado crianças para apresentar temas políticos como pano de fundo - a mesma guerra civil espanhola. Os dois filmes se completam em significado. E a mensagem de Del Toro não é sobre a perda da inocência, mas sim de como temos que nos abarcar a ela para conseguirmos sobreviver emocionalmente.


O elemento humano por trás dos comentários e mensagens de Del Toro reforçam ainda mais suas ideias. Todo o elenco está excelente. Mas quem chama a atenção é Sergi Lopez. Impossível desviar o olhar da tela quando ele aparece. Ele cria um vilão completamente odiável e se torna o ser mais asqueroso e repugnante, mesmo rodeado pelas criaturas mais estranhas possível.


Del Toro realizou todo seu filme com uma equipe basicamente mexicana, mas sem dispensar a máquina hollywoodiana. Ele, Alejandro Gonzáles Iñárritu e Alfonso Cuarón (também produtor do filme) são exemplos de cineastas que nunca deixaram de imprimir sua marca autoral em suas produções, mesmo com as amarras dos grandes estúdios. Coincidentemente, ou não, todos os três são produtos de um povo que até hoje é tratado com desprezo pelos norte-americanos. O preconceito está longe de acabar, mas o talento e o sucesso dos três é a melhor resposta.
É por tudo isto que acho que a fantasia não deve deixar de fazer parte de nós... podemos sempre ser as princesas dos nossos castelos... e porque não a rainha má de vez em quando. A Imaginação não tem tem limites, e quando se associa aos meios e ao talento atingem-se obras desta natureza.
É sem dúvida um dos filmes da minha vida!

O Labirinto do FaunoEl Laberinto del FaunoMéxico/Espanha/EUA2006, 112 minDrama/Fantasia Direção e roteiro: Guillermo del Toro Elenco: Ivana Baquero, Doug Jones, Sergi López, Ariadna Gil, Maribel Verdú, Álex Angulo, Roger Casamajor, César Vea, Federico Luppi, Manolo Solo