31 de julho de 2008

El Laberinto Del Fauno

O Labirinto do Fauno (2006) é com certeza um dos melhores filmes do cineasta Guillermo Del Toro. O Cineasta conta-nos uma fábula sombria recheada de metáforas e alegorias.


Além de ser entretenimento puro, o filme também é uma óptima refeição mental para os cinéfilos e amantes da literatura fantástica.
O filme abre com uma pequena narração sobre uma princesa que abandonou seu reino subterrâneo para conhecer a realidade humana e as consequências do seu acto. Depois disso conhecemos Ofélia (Ivana Baquero), uma menina de 10 anos fascinada por livros de contos e fábulas com fadas. Ela está a mudar de casa com a Mãe, Cármen (Ariadne Gil) para o campo, onde vai viver então com o padrasto, Vidal (Sergi Lopez). Ele é o capitão das forças fascistas do general Franco, que governa a Espanha em favor dos ricos e poderosos com a aprovação da Igreja Católica. Percebemos de imediato que Vidal é um homem extremamente sádico e que maltrata Ofélia.
Aos redor de sua nova casa, a menina encontra um labirinto que leva a uma secreto caminho subterrâneo. Lá ela conhece o Fauno (o mímico Doug Jones), uma criatura metade humana, metade bode, que a convence de que ela é a princesa perdida do reino subterrâneo e que precisa realizar três tarefas para retornar para seu reino. Ao mesmo tempo em que Ofelia embarca nessa viagem repleta de fantasia, Vidal não poupa esforços e sadismo para exterminar os rebeldes que ameaçam o governo.


O mundo fantástico

Realidade e fantasia se completam em um verdadeiro banquete de cenas e personagens inesquecíveis. Visualmente, o filme é soberbo. A cor é extremamente carregada de um sombreado que transforma a narrativa em um livro antigo de fábulas.
Inteligentemente, Del Toro transporta seu argumento para o campo. Cercado de florestas, o público aceita com facilidade que possa existir por ali um universo mítico. Envolvendo este universo estão as duras cercas do mundo real, característica que também marca o trabalho de outros directores fantásticos, como Tim Burton e Terry Gilliam. O único ingrediente diferente no filme de Del Toro são os toques surrealistas herdados do cineasta espanhol Luis Buñuel, outro que utilizou sua obra para criticar os fascistas.
Esse universo onírico e gótico é a espinha dorsal do filme. Del Toro não delimita o que é fantasia ou realidade. Ele aponta caminhos e deixa que o público embarque na viagem de sua preferência. Mesmo na conclusão, Del Toro contrasta os dois mundos.
Del Toro correlaciona seus personagens fabulescos com os de carne e osso. Nas tarefas, Ofelia é obrigada a enfrentar criaturas horripilantes. Por mais aterrorizantes que sejam as aparências dos seres, fica a impressão de que os humanos são os verdadeiros vilões.


Mundos contrastantes

Fica evidente a diferença entre o mundo de Ofelia e o de Vidal. Ela acredita em sonhos e fantasia, sentimentos e características vitais para o desenvolvimento do ser humano. Vidal é um produto de mundo rígido e fascista. Sua ideologia é baseada na violência. Del Toro aproveita para analisar psicologicamente como homens dessa natureza são resultado de uma relação agressiva e abusiva dos seus pais.


Mas o debate não é só social, mas também político. Vidal não consegue ver nos rebeldes uma ameaça. Para ele, é uma questão de tempo para que todos sejam eliminados. Em A Espinha do Diabo (2001), Del Toro já tinha utilizado crianças para apresentar temas políticos como pano de fundo - a mesma guerra civil espanhola. Os dois filmes se completam em significado. E a mensagem de Del Toro não é sobre a perda da inocência, mas sim de como temos que nos abarcar a ela para conseguirmos sobreviver emocionalmente.


O elemento humano por trás dos comentários e mensagens de Del Toro reforçam ainda mais suas ideias. Todo o elenco está excelente. Mas quem chama a atenção é Sergi Lopez. Impossível desviar o olhar da tela quando ele aparece. Ele cria um vilão completamente odiável e se torna o ser mais asqueroso e repugnante, mesmo rodeado pelas criaturas mais estranhas possível.


Del Toro realizou todo seu filme com uma equipe basicamente mexicana, mas sem dispensar a máquina hollywoodiana. Ele, Alejandro Gonzáles Iñárritu e Alfonso Cuarón (também produtor do filme) são exemplos de cineastas que nunca deixaram de imprimir sua marca autoral em suas produções, mesmo com as amarras dos grandes estúdios. Coincidentemente, ou não, todos os três são produtos de um povo que até hoje é tratado com desprezo pelos norte-americanos. O preconceito está longe de acabar, mas o talento e o sucesso dos três é a melhor resposta.
É por tudo isto que acho que a fantasia não deve deixar de fazer parte de nós... podemos sempre ser as princesas dos nossos castelos... e porque não a rainha má de vez em quando. A Imaginação não tem tem limites, e quando se associa aos meios e ao talento atingem-se obras desta natureza.
É sem dúvida um dos filmes da minha vida!

O Labirinto do FaunoEl Laberinto del FaunoMéxico/Espanha/EUA2006, 112 minDrama/Fantasia Direção e roteiro: Guillermo del Toro Elenco: Ivana Baquero, Doug Jones, Sergi López, Ariadna Gil, Maribel Verdú, Álex Angulo, Roger Casamajor, César Vea, Federico Luppi, Manolo Solo

29 de julho de 2008

HUM...DEFINIR-ME...


28 de julho de 2008


Agradeço o convite...



Gostei do nome - Imaginário Secreto...



Tenho 44 anos, sou do Norte e gosto de olhos e gente e mãos.



Escrevo, muito.



Mas às vezes nâo chega!



Imagino o dia em que publico o meu primeiro livro, imagino, secretamente.



E sorrio...

O filme

A campainha tocou. Ela levanta-se do sofá e abre a porta.
- Até que enfim que chegaste! Então que filme trouxeste?
-Hoje trouxe o “Drácula”
-Óptimo! Estava mesmo a apetecer-me ver um filme de terror! Vou fazer pipocas.
A noite caía lá fora, com uma lua cheia, a essa luz a pele dela tinha um aspecto de cera, macia e brilhante. Nutria por ela um desejo incontrolável, estava decidido, hoje era o momento propício para avançar. Já tinha esperado demasiado tempo. Sentaram- se no sofá e partilharam a taça das pipocas.
Ele sentia o coração latejar na cabeça...Ela comia distraidamente e fixava a televisão...Chegou-se perto dela, mais perto, sentia o odor dos cabelos, da pele. Ela pensou que ele estava a ser atencioso, abraçava-a para a proteger do medo do filme...até que sentiu os lábios dele comprimirem-se no seu pescoço e logo depois uma mordida suave e atordoante...Depois sentiu-se desfalecer...

27 de julho de 2008

DESEJAR É HUMANO!

26 de julho de 2008

SSSSSSSSHHHHHHHH


Sou a Secret.... ando pelos 30... gosto de musica, ambientes góticos, velas e preto... isto em alguns dias... noutros dias gosto da aventura dos locais inexplorados, desde a Savana ao Ártico, passando pelas florestas equatoriais... tem dias..

Hoje sou a Goth Secret... hoje visto de preto, carmim nos lábios, o fogo na alma, cabelo alisado e sinto-me em Praga! Edificios sombrios, pedra e nuvens...

No alto dos meus sapatos pretos, a saia travada, não ajuda aos movimentos, mas ainda assim, passeio descontraidamente pelos passeios, olhando os edificios altos... a humidade no chão quase me faz imaginar a queda aparatosa daquela Senhora Gorda, que parce que leva os sapatos um número abaixo...
Sinto o cheiro da pedra humida, misturado com o fumo dos carros. Ocorre-me que nos tempos idos, o cheiro não seria este... mas antes a ferro e madeira, misturado com feno e cavalos...Cavalos pretos, luzidos, polidos quase... e as senhoras nos seus espartilhos vitorianos, pálidas, sem sangue e sem ar... arfantes... com movimentos curtos a tentar chegar ao fim do dia, ansiosas pela libertação de tão dura prova...
Sinto o frio que passa para dentro da blusa leve... devia ter posto um casaco, mas o dia prometia Sol.... trouxe-me as nuvens... até é agradavel sentir o corpo a contrair-se quando passa uma brisa mais agressiva...
Entro num Salão e peço um chá! Quente... Chá Branco aromatizado com Morango e Pimenta Branca...O Carmim dos lábios está agora, no Branco da Chávena de porcelana lisa.... e a Pimenta cobre o fundo da Chávena...